
Para compreender como o tarot funciona sob a ótica da psicologia analítica, exploraremos neste texto o conceito de sincronicidade como um princípio de ordenação acausal que une o mundo simbólico aos eventos físicos. Discutiremos como o sorteio das cartas permite a manifestação de padrões profundos da psique — os arquétipos — e como essa interação funciona como um mecanismo de auto-organização e emergência do sistema psíquico. Ao longo da leitura, demonstraremos que essa prática revela a interconexão entre mente e matéria, auxiliando no processo de desenvolvimento pessoal e na busca por sentido.
Como o tarot funciona
Consulta de tarô – Coincidência ou ciência?
Segundo Carl Jung, Sincronicidade são aquelas “coincidências” que não podem ser explicadas como meras casualidades.
Muitas vezes pensamos em alguém e de repente toca o telefone e é a pessoa em que estávamos pensando, ou podemos encontra-la de surpresa na rua. Pois bem, a sincronicidade é o mecanismo que explica o funcionamento dos oráculos como o tarô e o baralho cigano.
Não existe casualidade no embaralhamento e disposição das cartas do tarô em um jogo.
Sua disposição deverá refletir o momento presente e as perspectivas futuras na vida do consulente e das pessoas em sua volta, sendo por isso considerado um instrumento para o exercício do autoconhecimento e reflexão.
A partir das informações encontradas ao jogar o tarot, podemos reavaliar condutas, expectativas, criar novas estratégias e metas que permitam alcançar os objetivos traçados, enfim, a realidade de uma situação poderá ser alterada partindo-se da premissa que possuímos livre arbítrio e somos nós mesmos quem conduzimos nossos destinos.
Evidente porém, que podemos estar em meio a uma situação onde não seja possível mudar imediatamente a realidade dos fatos.
Entretanto, o simples fato de termos esse discernimento já permite que mudemos nosso estado de espírito, equilibremos nosso emocional e aprendamos a cultivar a paciência para não agir de maneira precipitada com eventuais prejuízos.
Muitas vezes esperar é o melhor caminho apontado em uma consulta de tarot, mas não necessariamente uma espera em definitivo e sim, como meio de preparar dias melhores, com prudência e sabedoria.
Sim, porque essa é a principal função de uma consulta de tarot, nos ajudar a crescer em maturidade e entendimento sobre as diversas situações e possibilidades de nossas vidas. Desse modo, podemos realizar escolhas conscientes e tomar as rédeas dos nossos rumos e caminhos com a ajuda do tarot!
Simplesmente o Acaso não existe…
Não foi o Acaso que nos trouxe até aqui!!!
Mas de fato, como funciona a consulta ao tarot e ao baralho cigano?
A sincronicidade propõe que a realidade não é regida apenas por causas mecânicas, mas também por um princípio de ordenação baseado no sentido.
Em vez de ver mente e matéria como domínios isolados, essa teoria fundamenta-se no monismo de aspecto dual, sugerindo que o físico e o psíquico são apenas duas perspectivas diferentes de uma mesma realidade fundamental e neutra, o unus mundus.
No caso de uma associação simbólica, como o uso de cartas, o que ocorre é a manifestação simultânea de um padrão profundo — o arquétipo — que possui uma natureza “psicoide”, atuando tanto no pensamento quanto na matéria.
Do ponto de vista sistêmico, a psique funciona como um sistema adaptativo complexo que busca se auto-organizar. Quando atingimos um ponto de alta tensão interna, chamado de criticalidade, o sistema produz o evento sincronístico como uma propriedade emergente para promover uma reorganização necessária ao desenvolvimento do indivíduo.
Essa interconexão não é aleatória, mas estrutural: propostas contemporâneas indicam que o cérebro e o mundo físico compartilham a mesma geometria fractal e a proporção matemática Phi (ϕ). Assim, o evento sincronístico é o momento em que essa base matemática comum torna-se visível, unindo o que sentimos e o que observamos em uma única experiência de significado.
Consulta de tarot na prática
Para ilustrar a aplicação desses princípios em uma consulta de tarot, imagine um indivíduo que atravessa um período de estagnação e crise profissional profunda. Esse estado de alta tensão psíquica representa o que as fontes chamam de criticalidade auto-organizada, um ponto de transição onde o sistema psíquico está pronto para uma reorganização.
Ao realizar a consulta, o indivíduo utiliza o pensamento não-dirigido (associativo e simbólico) em vez do raciocínio lógico-causal,. No momento em que ele retira, por exemplo, a carta “A Torre” — um símbolo de ruptura abrupta de estruturas —, ocorre uma coincidência significativa entre o seu estado interno de crise e o evento físico externo da carta sorteada.
A explicação técnica para esse evento baseia-se nos seguintes mecanismos:
- Conexão Acausal pelo Sentido: Não há uma relação de causa e efeito; a carta não causou a crise, nem o pensamento “puxou” a carta fisicamente. O que os une é o significado, que atua como um fator de ordenação na natureza.
- Manifestação do Arquétipo Psicoide: O padrão de “ruptura e renovação” que o indivíduo está vivenciando é um arquétipo. Devido à sua natureza psicoide, esse padrão não está restrito à mente; ele se manifesta simultaneamente no plano psíquico (sentimento de crise) e no plano material (a carta física), pois ambos são faces do mesmo unus mundus.
- Emergência e Função Transcedente: O impacto visual do símbolo permite a união de conteúdos conscientes e inconscientes, processo conhecido como função transcendente. O evento funciona como a “avalanche” em uma pilha de areia: um pequeno acontecimento (a carta) que desencadeia uma grande reorganização na estrutura da psique, auxiliando o indivíduo em seu processo de individuação.
Dessa forma, a consulta de tarot deixa de ser vista como “adivinhação” e passa a ser compreendida como um catalisador de um fenômeno emergente do sistema psíquico, revelando a interconexão fundamental entre mente e matéria.